Fonte dos dados — RAIS 2024 · Ministério do Trabalho · GPTs are GPTs (Eloundou et al., 2024)

O Impacto da IA no Mercado de Trabalho Brasileiro

Estudo profundo com 46 milhões de dados brasileiros analisados. Para onde estamos caminhando e qual o futuro das profissões? Entenda o contexto e como preparar sua carreira e seus times.

Explorar o estudo
Introdução

Todo dia nos deparamos com uma notícia diferente de que a IA vai transformar os negócios e o mercado de trabalho. Não existem mais dúvidas sobre isso.

A dúvida é outra: quem será impactado, em qual intensidade e o que fazemos com isso?

Foi para responder essas perguntas que analisamos 46 milhões de vínculos formais no Brasil. O resultado é um retrato de quais profissões, setores e regiões estão mais expostos.

Mais do que falar sobre riscos, este estudo busca mostrar oportunidades e caminhos práticos para profissionais, líderes e empresas se prepararem para a mudança que já está em curso.

Autor
Patrick Francisco
Patrick Francisco

15 anos em Produto, Marketing e Vendas, com passagens por Sascar e Fazzer. CEO e Founder da Driva, startup AI-first que usa dados e inteligência artificial para acelerar Marketing e Vendas B2B. Referência em dados de empresas no Brasil, com uma das bases mais completas e qualificadas do país, ajudando mais de 22 mil empresas a crescer com decisões orientadas por dados.

Caravela Capital

A Caravela Capital é uma gestora de venture capital com foco em empresas early-stage na América Latina. Com mais de 33 empresas no portfólio e cerca de US$ 63 milhões sob gestão, a Caravela investe em startups de tecnologia nos estágios Seed e Série A, apoiando fundadores que constroem negócios de alto crescimento.

Fontes RAIS 2024, CBO 2002, O*NET 27.2, Eloundou et al. (2024). "GPTs are GPTs." Science, 384(6702).
Visão Geral
0

⅓ dos trabalhadores estão em risco. Quanto maior a escolaridade, maior a exposição.

Distrito Federal (DF) — o DF é o estado mais vulnerável; a construção civil, o setor mais protegido.

0

No cenário agressivo, até 8,4 milhões de posições poderiam ser automatizadas.

0

+R$50 bilhões de salários impactados pela transformação da IA.

Quanto maior a escolaridade, maior a exposição: e não o contrário. Mestres e doutores lideram o ranking de vulnerabilidade.

Capítulo 1

O Impacto da IA em números

Analisamos 46 milhões de empregos ativos no Brasil. Desse total, 9,9 milhões estão em profissões com alta exposição à inteligência artificial e outros 5 milhões em exposição média. Os 31,4 milhões restantes estão em atividades de baixa exposição.

Vínculos ativos por faixa de exposição

46 milhões de vínculos formais
Baixa31,4M
Média5,0M
Alta9,9M

Massa salarial por faixa de exposição

R$ 156,1 bilhões mensais
BaixaR$ 82,3 bi
MédiaR$ 23,4 bi
AltaR$ 50,4 bi
dos empregos estão altamente expostos
R$ 50 bi em massa salarial mensal em risco

Aproximadamente um terço dos trabalhadores brasileiros está em ocupações com exposição média ou alta à IA.

Mas essa leitura muda quando adicionamos uma segunda camada de análise: a renda. Embora representem cerca de 33% dos vínculos formais, as ocupações de média e alta exposição concentram mais de R$ 50 bilhões em massa salarial mensal.

Ou seja, a exposição à IA está desproporcionalmente concentrada entre os profissionais de maior remuneração. Esse é o primeiro achado central do estudo.

As profissões mais e menos expostas

Cada bolha representa um grupo de profissões. Quanto maior a bolha, maior o volume de trabalhadores.

Passe o mouse sobre as bolhas para explorar exposição, salário e volume de vínculos.

A posição no gráfico indica o nível de exposição e a faixa salarial. Quanto mais à direita, maior a exposição à IA. Quanto mais acima, maior o salário.

O que mais chama atenção é a parte superior direita do gráfico. É ali que estão profissões como tecnologia e engenharia: ocupações que possuem salários mais altos com maior exposição à inteligência artificial. Já as funções administrativas aparecem no meio do gráfico, com exposição média.

Enquanto isso, profissões mais ligadas ao trabalho manual tendem a ficar do lado esquerdo, com menor exposição.

Ocupações mais e menos expostas à IA

As profissões no topo do ranking concentram atividades cognitivas padronizáveis. No outro extremo, estão ocupações mais ligadas ao trabalho manual e físico.

O padrão é claro: processamento de informação, escrita, análise e tarefas administrativas aparecem entre as mais expostas. Em contraste, construção civil, manutenção industrial e funções operacionais ficam entre as menos expostas.

Um olhar por região

Entre os estados, o Distrito Federal lidera o nível de exposição, reflexo de uma economia fortemente concentrada em atividades administrativas e de serviços.

No recorte municipal, as maiores vulnerabilidades estão nas capitais e cidades com alta dependência do setor de serviços e baixa diversificação econômica, especialmente com menor presença de base industrial.

Isso reduz a capacidade de adaptação a mudanças no mercado de trabalho local.

Setores econômicos: exposição × salário × volume

O que mais chama atenção é a parte superior direita do gráfico. É ali que estão profissões como tecnologia e engenharia: ocupações que possuem salários mais altos com maior exposição à inteligência artificial. Já as funções administrativas aparecem no meio do gráfico, com exposição média.

Enquanto isso, profissões mais ligadas ao trabalho manual tendem a ficar do lado esquerdo, com menor exposição.

As 25 ocupações mais vulneráveis

O índice de vulnerabilidade combina exposição à IA (40%), volume de trabalhadores (25%), massa salarial (20%) e baixa escolaridade (15%).

As ocupações no topo - funções administrativas e de escritório - são os alvos prioritários para requalificação. Milhões de trabalhadores sem ensino superior em ocupações expostas formam o grupo mais urgente para programas de capacitação.

Capítulo 4

Escolaridade, gênero e faixa etária

Quando olhamos para o perfil dos profissionais mais expostos à IA, o dado que mais chama atenção é a escolaridade.

Ao contrário do que muitos imaginam, quanto maior o nível de estudo, maior a exposição à IA. Mestres e doutores lideram o ranking, mostrando que a tecnologia impacta principalmente atividades ligadas à análise, escrita, pesquisa e processamento de informação.

Na faixa etária, os profissionais entre 25 e 44 anos são os mais expostos. Ou seja, justamente o grupo que concentra grande parte da força de trabalho e dos cargos de maior responsabilidade nas empresas.

Já no recorte de gênero, a diferença é pequena. As mulheres aparecem com uma exposição ligeiramente maior, impulsionada pela maior presença em funções administrativas e de escritório.

calculadora

Teste: qual o nível de exposição da IA para sua carreira e empresa

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Seu resultado

Impacto da IA 72% das suas tarefas podem ser impactadas

O que significa este índice?

O Impacto da IA mede a probabilidade de suas tarefas diárias serem automatizadas, assistidas ou transformadas por inteligência artificial nos próximos 3 a 5 anos. Este não é um índice de ameaça — é um índice de transformação.

O cálculo considera quatro dimensões principais: o tipo de atividades que você executa (tarefas cognitivas e repetitivas são mais suscetíveis), o setor em que atua (tecnologia, finanças e serviços lideram a adoção), o tamanho da empresa (grandes organizações investem mais em IA) e seu nível de senioridade (posições estratégicas exigem redefinição de função, não substituição).

Um índice alto não significa que você será substituído. Significa que suas tarefas rotineiras tendem a ser automatizadas — liberando tempo para atividades de maior valor agregado como criatividade, estratégia, relacionamento e tomada de decisão.

O que fazer com este resultado?

Se o índice está entre 60-85% (alto): sua função está no epicentro da transformação. O caminho é adotar IA como ferramenta de produtividade antes que ela seja adotada como regra. Comece mapeando suas tarefas repetitivas — relatórios, análises padronizadas, comunicação rotineira — e teste ferramentas de IA para acelerá-las. O profissional que domina IA na sua área não será substituído: será promovido.

Se o índice está entre 30-60% (médio): a transformação chegará em ondas. Parte do seu trabalho será assistida por IA em 2-3 anos. O diferencial será saber usar IA para entregar mais em menos tempo, enquanto desenvolve habilidades complementares — liderança, negociação, visão estratégica — que máquinas não replicam.

Se o índice está abaixo de 30% (baixo): sua função tem proteção natural por envolver trabalho manual, presencial ou altamente contextual. Mas atenção: mesmo funções protegidas serão potencializadas por IA. O motorista que usa GPS chega mais rápido. O enfermeiro que usa IA para triagem atende mais pacientes. A pergunta não é "se" a IA chegará, mas "como" você a usará.

Próximos passos concretos

1. Diagnóstico de 15 minutos: liste suas 10 tarefas principais da semana. Marque as que são repetitivas, padronizáveis ou envolvem processamento de informação. Essas são as primeiras candidatas à IA.

2. Teste de uma ferramenta por semana: Claude, ChatGPT, Gemini, Copilot. Use para uma tarefa real do seu trabalho. Documente o tempo economizado.

3. Conversa com seu líder: mostre o resultado desta calculadora e proponha um teste de IA em uma tarefa específica da equipe. Líderes valorizam profissionais que trazem soluções, não problemas.

4. Acompanhamento trimestral: refaça esta calculadora a cada 3 meses. O mercado de IA muda em semanas, não em anos. O que era protegido em janeiro pode estar exposto em junho.

Profissionais brasileiros
na liderança da IA

Cultura AI First

É hora de virar o jogo

A discussão sobre o impacto da IA no mercado de trabalho já não é novidade. A realidade está colocada. É o que mostramos neste estudo.

O que precisamos agora (e eu quero trazer aqui) é um olhar prático: O que fazemos com isso enquanto líderes?

A resposta não é pânico e alarmismo. É começar a se movimentar sabendo a direção certa. E eu quero mostrar o que aprendi ao longo desses últimos meses.

Patrick Francisco — CEO & Fundador da Driva
Patrick Francisco CEO & Fundador

Do 0 a 126 projetos em poucos meses: como construir uma cultura AI First com pessoas no centro

Para mim, a resposta precisa ser de cultura (de verdade, não só no discurso). Eu vi isso acontecer nos últimos meses aqui na Driva.

Saímos do zero e chegamos a mais de 126 projetos criados pelo próprio time em poucos meses, com pessoas de Financeiro, Comercial, Marketing, Produto e Operações envolvidas.

Uma cultura AI First não se constrói em três meses. Mas ela mostra efeitos nas primeiras semanas. É um jogo exponencial: quanto antes você começa, mais dentro do jogo você fica.

0 projetos
0 áreas envolvidas

Começamos por uma decisão

Em meados de 2024, decidimos que a IA não seria opcional na Driva. Ela precisava fazer parte do dia a dia: da forma como operamos, contratamos, avaliamos e construímos.

E esses foram os pilares que construímos.

Os 6 pilares da cultura AI First

01

O exemplo começa na diretoria

A cultura acontece por inspiração e imitação. Na Driva, a diretoria passou a usar IA ao vivo em reuniões e decisões, na frente do time.

02

AI First Coach

Antes de capacitar, precisamos entender o nível atual da operação. Por isso, criamos o assessment de maturidade em IA, com diagnósticos individuais que guiaram treinamentos e mentorias.

03

IA no DNA dos processos

Não adianta treinar se os processos não mudam. IA entrou nas entrevistas, no ciclo de avaliação anual, nas reuniões de sprint. Usar IA deixou de ser "ir além" e virou parte do entregável esperado.

04

Premiar quem inova

Cada projeto implementado é um reforço e combustível para os próximos acontecerem. Criamos premiações mensais e o Hackathon AI Driva. O resultado foi impactante: pessoas sem background técnico criando sistemas completos que resolvem dores do dia a dia.

05

Ferramentas para todos, sem exceção

100% do time com acesso: Google AI, Claude, treinamento em diferentes níveis. Cada um avança no seu ritmo, mas ninguém fica parado.

06

Resultados

Uma analista financeira construiu sozinha um sistema de controle de despesas. Uma líder de RH, sem experiência técnica, pegou os dados da pesquisa de clima e criou uma visualização interativa por área. O time comercial criou sua própria IA de alimentação de CRM.

A jornada

Q1 2025

Decisão estratégica: AI First

Decidimos que a IA seria pilar central da cultura. Disponibilizamos Google AI + Claude para todo o time.

Q2 2025

IA como cultura, com premiações

IA entra na rotina e nos processos. Começamos com as premiações.

Q3 2025

Assessment AI First Coach

Implementação do assessment, com diagnóstico individual.

Q4 2025

IA na avaliação de desempenho anual

Competência em IA entra como critério formal da avaliação de desempenho.

Treinamento

Do básico ao avançado

O time perde o medo da "tela preta" do terminal do Claude Code e começa a criar automações.

Resultado

Colhendo os frutos

Sistemas internos criados e três novos produtos indo para o mercado, em poucos meses.

Patrick Francisco
Benchroom

Gostou do que viu até aqui?

Quero te convidar pra uma conversa.

Estou organizando um benchroom online com outros C-levels: erros, acertos e os projetos que estamos fazendo.

23/07 às 19h30 · online, sala fechada
Quero participar Inscrever-se na lista de espera

Liderando produtos com IA: como resolvemos dores de décadas em semanas

A nossa área de Produto também mudou drasticamente nos últimos meses. Ganhamos velocidade e qualidade ao mesmo tempo.

O resultado: três novos produtos em poucos meses que estão mudando o negócio dos nossos clientes. Eles estão indo ao mercado e estou bastante orgulhoso do que estamos conseguindo fazer.

01

Copilot da Driva

Trabalho com dados para vendas há pelo menos 10 anos. E dores que todo mundo conhece de longa data: leads frios, contatos ruins, sem decisores, baixas conversões, time "atirando" pra todo lado e entrando em call sem pitch contextualizado.

E uma coisa é certa: em 2026, com IA na mão, não faz sentido mais passar por isso.

Lançamos um copiloto que ajuda em todas as etapas: pesquisar qualquer empresa entre 60 milhões mapeadas, ter contatos, enviar informações pro CRM, ter um dossiê completo do lead e da empresa antes da call, com sugestão de pitch personalizado.

Tudo isso em linguagem natural, no WhatsApp.

02

Kipflow

Também lançamos o Kipflow: uma API que envia toda a nossa base de dados para automações, agentes e CRM.

Enriquecimento e dados completos, sem precisar baixar planilha nem lidar com informação incompleta.

"

Qual o seu stack? A pergunta que eu mais ouço. Spoiler: a pergunta não é essa.

Me perguntam muito sobre ferramenta, qual IA estou usando, como. Isso importa. Mas a pergunta certa não é "qual ferramenta". É: "o que queremos resolver?". Comece por aí. A ferramenta vem depois.

— Patrick Francisco

Profissionais brasileiros
na liderança da IA

Nomes do mercado B2B e B2C — uma curadoria do estudo Driva + B2B Insiders, baseada em trajetória, impacto na empresa atual e influência no ecossistema.

Deborah Folloni
Deborah Folloni Design, criatividade
Lucas Montano
Lucas Montano Lead Engineer
Rafael Quintanilha
Rafael Quintanilha AI for devs
Vinicius Pasquantonio
Vinicius Pasquantonio AI for devs, Conversational AI
Bruno Gabarra
Bruno Gabarra Carreiras através da inteligência artificial
Alexandre Messina
Alexandre Messina Ferramentas de IA
Elisa Terumi
Elisa Terumi Aplicações reais, tendências e o impacto dos LLMs
Mikaeri Ohana
Mikaeri Ohana Microsoft MVP in Artificial Intelligence
Bruno Okamoto
Miguel Lannes Fernandes IA aplicada a negócios
Bruno Okamoto
Bruno Okamoto SaaS, IA & Empreendedorismo

Espero te ver no benchroom!

Enquanto isso, fica de olho nessa seleção de perfis e projetos fora da curva que eu e meu time mapeamos.

Vamos falar mais no benchroom? Te espero.